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O NOVO DEPOIMENTO DE MARCELO ODEBRECHT

Leia aqui, tudo o que O Antagonista transcreveu do novo depoimento de Marcelo Odebrecht, que foi prestado hoje à tarde:

Questionado pelo Ministério Público, Marcelo Odebrecht confirmou o conteúdo dos emails entregues à Justiça Federal que mostram a negociação para a compra do edifício que serviria de sede para o Instituto Lula.

Marcelo explicou que RT nos emails é Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula, e que José Carlos Bumlai era referido como “JCB, agricultor ou pecuarista”.

“Ficou evidente que a pessoa com quem conversei primeiro foi o Bumlai e que ele participou até o final.”

Marcelo Odebrecht também explicou, com base nos emails, que a compra do terreno para servir de sede do Instituto Lula lhe chegou “como um pacote fechado pelo Roberto Teixeira”.

Todas as informações sobre a compra eram fornecidas pelo advogado e compadre de Lula. “Tudo vinha do Roberto Teixeira.”

A liberação do dinheiro para o negócio, porém, passava por Antonio Palocci.

“Outro ponto que acho importante é que não faria nada sem autorização do italiano. No final das contas, o dinheiro ia sair da conta do italiano, isso fica evidente nos emails.”

Também no depoimento de hoje, com os novos emails já entregues à Lava Jato, Marcelo Odebrecht disse, que depois de comprado o imóvel para a sede do Instituto Lula, ele se viu obrigado a arcar com a segurança do local, como relatado numa mensagem a Paulo Melo.

“Até então meu compromisso era de comprar o terreno. Aí começa a aparecer que tem que manter o terreno. Aí começa a vir mais gastos envolvidos. Aí fui novamente pedir autorização a Palocci, deixando bem claro ao advogado, a Roberto Teixeira, que eu tinha de ter autorização de Palocci para bancar esses custos, porque esses custos iam sair da planilha Italiano.”

Marcelo Odebrecht contou ainda a Sérgio Moro que, duas semanas antes de deixar a custódia, ele recebeu da PF seu notebook pessoal com mais de 600 mil documentos – inclusive os emails.

“A PF conseguiu recuperar tudo o que foi apagado desde 2002”, diz.

Ele explica que deixou para analisar os documentos em janeiro depois que deixou a carceragem, pois seria “basicamente impossível” fazer alguma pesquisa naquelas condições.

Dificuldades na pesquisa levaram Marcelo a só conseguir entregar os primeiros emails no início de fevereiro.

Marcelo Odebrecht, ao falar sobre uma das trocas de mensagens com Paulo Melo sobre a sede do Instituto Lula, disse que José Carlos Bumlai havia procurado Melo para que a Odebrecht também reformasse o imóvel que havia sido adquirido.

“Nesse momento, pedi orientações a Palocci e (Paulo Melo disse a) José Carlos Bumlai que alinhasse (a reforma) com Roberto Teixeira e Lula.”

Bumlai disse a Melo que a sede do Instituto Lula deveria ser inaugurada em maio de 2011. O tempo urgia.

Marcelo Odebrecht deu também, a real dimensão do papel de Roberto Teixeira no esquema de corrupção que beneficiou Lula.

Advogado e compadre do ex-presidente, além de sogro de Cristiano Zanin, Teixeira cuidava de todos os trâmites do negócio envolvendo a compra de uma sede para o Instituto Lula.

“A gente contratou um advogado externo para fazer avaliação do risco imobiliário. Mas os documentos estavam todos com o Roberto Teixeira.”

“Na prática, o Roberto Teixeira, ele fechava o pacote. Ele só entregou o pacote pronto pra gente pagar.”

Marcelo Odebrecht ainda comentou, que Demerval Gusmão recebeu um adiantamento para servir de laranja no negócio da sede do Instituto Lula.

“Teve adiantamento do Prosub e se pagou a parcela por dentro”, disse. O Prosub é o programa de compra de submarinos com propulsão nuclear da França.

Segundo Marcelo, a ideia inicial era que Demerval comprasse o terreno, construísse ou alugasse para o Instituto Lula num esquema built-to-suit. “Ele seria ressarcido pela doação que seria feita ao Instituto Lula.”

Na prática, a sede sairia de graça para o ex-presidente agora preso.

Marcelo Odebrecht contou que, quando o assunto da sede do Instituto Lula apareceu na imprensa, em novembro de 2010, com o petista ainda na Presidência, ele ficou alarmado com a “irresponsabilidade” de José Carlos Bumlai, que estava espalhando a história aos quatro ventos.

Ele então disse a Alexandrino Alencar que pedisse ao Seminarista, codinome de Gilberto Carvalho, para controlar Bumlai.

Ao final, a compra do imóvel para a sede do Instituto Lula foi desfeita, para não dar na vista.

Questionado por Cristiano Zanin, Marcelo Odebrecht disse que já deve ter encaminhado à Justiça Federal mais de 3 mil emails.

“É melhor que a defesa de Lula fique com os emails, porque quanto mais eu vou à justiça, mais difícil fica a vida dele.”

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