BRASIL

BRASÍLIA: 70% DOS EDIFÍCIOS DAS ASAS SUL E NORTE POSSUEM DANOS

Os dois desabamentos ocorridos em Brasília na semana passada deixaram a cidade em alerta. No último domingo, 23 carros e duas motos foram esmagados quando a laje da garagem de um  prédio na 210 Norte cedeu. Na terça-feira, o viaduto sobre a Galeria dos Estados desmoronou. Especialistas dizem ser necessário cautela tanto na área tombada quanto em regiões mais novas do DF. Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do DF (Ibape) traz um dado preocupante: dos 70 prédios residenciais e comerciais analisados nas asas Sul e Norte, 70% têm a estrutura prejudicada com problemas como infiltrações. A próxima etapa do estudo é tentar identificar os motivos que causaram as alterações nos edifícios.

O mais grave era uma padaria na 207 Sul, interditada pela Defesa Civil em janeiro. Em 2016, Karen Lorhane Ribas comprou o ponto por R$ 1 milhão e investiu mais R$ 300 mil. A empresária acumula contas enquanto o comércio está com as portas fechadas e 20 funcionários, parados. “Depois de uma chuva no ano passado, chamei os bombeiros e, quando chegaram, disseram que acionariam a Defesa Civil. O laudo da perícia apontou que a parte de cima poderia desabar e interditaram a loja”, lamenta. Segundo o laudo, o peso das máquinas colocadas no pavimento superior fez com que a laje deformasse. O vão, que deveria ter 2 centímetros, cedeu e passou dos 5cm.

“O estudo mostra que os prédios da Asa Sul e Norte precisam de intervenção urgente. Não é um bloqueio. As pessoas não têm que sair, mas é preciso uma reforma de reforço estrutural, que tem um custo mais alto”, analisa Iberê Pinheiro de Oliveira, diretor de relações institucionais do Ibape. Segundo ele, os principais problemas estão relacionados à impermeabilização, que contribui para a corrosão do concreto. A pesquisa mostra que 100% dos prédios analisados tinham algum tipo de vazamento de esgoto. Iberê afirma que os condomínios têm de ficar mais atentos. “A área residencial é mais crítica do que a área pública”, observa. “Não adianta ficar reformando só a fachada”, completa. Ele recomenda que os prédios façam uma inspeção predial para detectar problemas e um plano de ação focado nas urgências.

FOTO: CB

Em 2012, a Defesa Civil chamou a atenção de moradores dos prédios das 400 da Asa Norte. Reformas feitas durante anos comprometeram a estrutura das edificações. Por isso, os moradores tiveram de refazer paredes para evitar problemas nas fundações dos edifícios. Alguns prédios já terminaram as obras, outros ainda estão em execução ou à espera de orçamento do condomínio.

A falta de confiança nas estruturas de Brasília virou memes na internet e tomou conta das rodas de conversas. O brasiliense está inseguro ao cruzar pontes, passar por tesourinhas e até as suas próprias casas são objeto de dúvida. Do prédio da advogada Letícia Peres, 48 anos, é possível ver a cratera aberta no coração de Brasília. “É uma imagem que não sai da cabeça e que reforça a sensação de que outra tragédia está por acontecer a qualquer momento”, comenta a moradora da 102 Sul. Os filhos de Letícia estudam no Lago Sul. É corriqueiro atravessar pontes e viadutos no caminho. “Depois de tudo o que vimos nos últimos dias, é impossível entrar no carro e não temer. Podemos passar por um lugar, e o chão se abrir, não deixando possibilidade de defesa”, completa.

Letícia conta que, depois que túneis do Metrô foram perfurados na Asa Sul, os prédios trepidam. “Até então, essa não era uma preocupação. Praticamente a cidade tem a mesma estrutura de construção e foi erguida de forma conjunta. Será esse um acidente pontual ou o anúncio de uma situação mais grave?”, questiona.

Os vizinhos do Bloco C da 210 Norte, onde uma laje cedeu, também estão apreensivos. O analista de sistemas aposentado Alírio Cabral, 73, é um deles. “Não há como encarar a cidade da mesma forma. Que riscos corremos? Há anos percebo que a Ponte do Bragueto está se deteriorando. O que mais está naquela situação e não nos atentamos?”, indaga o morador do Bloco A.

A psicóloga Renata Coutinho, 31, mora há um ano e meio na 210 Norte. Cresceu nos pilotis da Asa Sul. A cidade que proporcionou-lhe uma qualidade de vida única no país se tornou motivo de inquietação. “Nos últimos dois dias, passei a ter mais atenção com a estrutura das tesourinhas. Estão todas muito comprometidas”, aponta.

Fonte: Correio Braziliense

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