LAVA JATO

AS 400 VISITAS DE HENRIQUE ALVES

Rodrigo Telles, um dos nove procuradores da República à frente da Operação Manus, desdobramento da Lava Jato, traçou o perfil de Henrique Eduardo Alves em entrevista ao Estadão:

“Henrique Alves não só era, como ainda é, um homem muito poderoso, não apenas no Rio Grande do Norte, mas em todo o Brasil. Foi deputado federal por onze mandatos consecutivos, por quarenta e quatro anos, desde a época da ditadura militar, passando pela Assembleia Nacional Constituinte. Na Câmara dos Deputados, depois da redemocratização, foi líder do PMDB e ocupou a presidência da casa legislativa.

Com o fim da sucessão de seus mandatos, chegou a ser ministro do Turismo. É uma das figuras de maior relevo no PMDB, um dos maiores partidos políticos do país. Sua família (tratada por muitos como o ‘clã dos Alves’) tem uma tradição política antiga no Rio Grande do Norte. Uma rápida análise dos seus dados telefônicos, obtidos mediante autorização judicial no decorrer da Operação Manus, mostra constantes contatos com a Presidência da República, deputados federais, senadores, autoridades do Poder Judiciário e do Ministério Público.

Na área econômica, mantinha contatos com executivos de grandes empresas brasileiras e tem seu próprio grupo empresarial no Rio Grande do Norte, formado basicamente por empresas de comunicação (televisão, rádio e jornal) que são responsáveis por significativa difusão de informação e pela formação de boa parte da opinião pública no estado.

Todo esse poder de influência, tanto na esfera estadual, quanto em âmbito nacional, manifesta-se de diversas formas. Uma das principais é a descrença de boa parte da população e, inclusive, de vários agentes do sistema de justiça criminal de que uma ação penal contra ele tenha algum resultado efetivo.

Outra também digna de destaque é a dificuldade em evitar um tratamento privilegiado a ele durante processos e investigações; como exemplo, apenas durante os dois primeiros meses de prisão preventiva, ele teve mais do que 400 visitas, sem um maior controle quanto ao ingresso de pessoas com instrumentos de comunicação como telefones celulares, o que seria impensável em um sistema prisional comum, ao qual se destina a maioria das pessoas.”

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