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A ENTREVISTA DE OLAVO DE CARVALHO

O AN&F transcreve trechos da entrevista de Olavo de Carvalho concedida ao jornalista Felipe Moura Brasil do site O Antagonista:

FMB: Você sempre diz que a ignorância no Brasil virou argumento de autoridade. O Lula foi talvez a figura pública que mais teve influência neste sentido, a ponto de tornar a falta de cultura um mérito…

OLAVO DE CARVALHO: Exatamente! O Lula não é o sujeito que veio do nada, pobrezinho, e com esforço próprio estudou, evoluiu, como Machado de Assis, como Lima Barreto, ou como eu. Não, ele é o cara que veio de baixo e ele foi se aprimorando assim: comprando um terno melhor, polindo as unhas, aparando o cabelo… Mas a mente dele continua igualzinha, ele não aprendeu nada. Então ele é um anti-exemplo. O Brasil foi feito por pessoas que vieram das camadas baixas. Eu, na infância, fui muito mais pobre do que o Lula. E não fico choramingando. Imagina que coisa vergonhosa um homem de 70 anos [Olavo imita tom de choro e enxugamento de lágrimas]: ‘Buá, eu fui menino pobre no Nordeste!’ Que coisa mais ridícula, meu Deus do Céu! Devia estar contente: ‘Eu fui menino pobre, agora sou presidente da República, eu estou numa boa, estou felicíssimo’. Que nada, fica choramingando até hoje. Isso o que é? Isso é falta de cultura, falta de educação.

FMB: Você faz até – eu incluí no livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” (páginas 86 e 87) – um contraste entre o Lula e o [filósofo alemão radicado nos EUA] Eric Voegelin…

OLAVO DE CARVALHO: O Eric Voegelin ficou rico depois de velho, depois dos 70 anos é que ele descobriu um negócio de investimento e ganhou muito dinheiro. Depois dos 70! Ele nunca teve dinheiro na vida. Ele saiu da maior pobreza na Alemanha e ainda saiu fugido! Ele estava saindo pela porta dos fundos enquanto a Gestapo [a “polícia secreta do Estado”] estava entrando pela porta da frente. Chegou aos Estados Unidos com uma mão na frente, outra atrás. E fez a sua longa carreira de estudos, nunca procurou publicidade, nunca procurou ser o gostosão e se afirmou apenas pela sua obra científica, que é uma coisa maravilhosa. Então você contrastando essas carreiras, você vê o exemplo e o anti-exemplo.

Mas você nem precisa procurar o Eric Voegelin. Você veja a história de Machado de Assis, do Lima Barreto, de Castro Alves, de Gonçalves Dias, de Capistrano de Abreu, é tudo gente que veio de baixo. Pessoas que vieram de camadas ricas no Brasil e deram contribuições culturais importantes são pouquíssimas: Joaquim Nabuco, Oliveira Lima, o próprio Gilberto Freire… Existem também, mas a maioria – vamos dizer, 90% – é gente pobre, que estudou às vezes sozinha com grandes esforços e construiu a cultura brasileira.

Agora, o Lula é a desconstrução, ele é o anti-exemplo total: ‘Eu que subi aqui, sem aprender coisa nenhuma’… O Lula não é um ‘self-made man’ [homem feito por si mesmo], ele foi inteiramente feito pelos outros: feito pelo partido, feito pelos bancos, feito pela mídia. Ele não tem mérito nenhum nesta coisa. Ele não é propriamente um líder, ele é um símbolo construído pelos outros. Tanto que para derrubá-lo foi a coisa mais fácil. O homem era um ídolo nacional e, do dia para a noite, ele virou um lixo, todo mundo quer vê-lo na cadeia. Uma reputação sólida não cai assim tão fácil.

Felipe Moura Brasil citou dois artigos do filósofo sobre a tragédia vocacional brasileira – “Vocações e equívocos” e “O abandono dos ideais” – e pediu que ele falasse sobre a diferença entre fazer algo por prazer ou por dinheiro, como é costume no país, e fazer por vocação.

OLAVO DE CARVALHO: A vocação é a coisa principal na vida, porque a maior parte do seu tempo você vai gastar trabalhando. Então, se você não está realizado no seu trabalho, você não vai se realizar em parte alguma. O que é este realizar-se? É você ter prazer o tempo todo? Não é possível. Por exemplo: eu tenho um grande amigo chamado Juan Alfredo César Müller, que era um gênio da psicologia clínica. Ele ficava o dia inteiro conversando com louco. Isso é um prazer? Claro que não, isso é um sofrimento atroz. Mas ele tem amor a isso. Isso, para ele, é mais importante do que a vida. Ele morre por isso. E isso é a vocação. Aquilo que é mais importante do que você. Aquilo pelo qual você morreria, como Cristo na cruz. Você acha que Cristo estava muito feliz de estar lá pregado na cruz? Ele fez por prazer ou por dinheiro? O resumo da humanidade é Jesus Cristo. Ele está lá pendurado na cruz é por amor. Não é nem por prazer, nem por dinheiro.

FMB: E nem é só por gostar. Porque muitas vezes as pessoas falam: ‘ah, tem que fazer o que gosta’. Não é só gostar. Porque, quando você fala em amar, inclusive para as relações amorosas, por exemplo, tem o momento em que a outra pessoa viaja e você passa um momento de dor, de saudade, mas você passa em nome daquele ideal, em nome daquele amor, então tudo tem uma certa parte chata, mas que você faz por amor.

OLAVO DE CARVALHO: Se fosse para fazer por prazer, eu abriria um puteiro! (Risos) Porque aí teria todas as putas à minha disposição 24 horas por dia e ainda ganharia dinheiro com elas. Mas isto não é o prazer, e também não é o dinheiro, é o amor por uma coisa que é mais importante do que a sua vida, que vale mais do que a sua vida. Isso é a verdadeira vocação. Nesse trabalho que eu estou fazendo, que é puramente vocacional, não tem nenhuma concessão ao prazer ou ao dinheiro, tem momentos de grande sofrimento e tem momentos de grande alegria. Para mim, é a mesma coisa: o amor é o mesmo. É como você casar com uma pessoa. O seu casamento vai ser só alegrias? Não! Vai ser tristeza, você vai compartilhar as tristezas. Então aquilo é uma coisa que é valiosa para você. Então não pode ser submetido ao critério do prazer ou do dinheiro. Mas este elemento falta na cultura brasileira. Eles [os brasileiros] não sabem o que é vocação.

Sobre Silvan Magalhães (1126 artigos)
Francisco Silvan Magalhães Moreira, 52 anos, natural de Pedra Branca - Ceará, formado em Administração de Empresas e Pós-Graduado em Perícia e Auditoria Ambiental.

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